Nos últimos meses, uma nova expressão começou a circular no Vale do Silício: “token maxxing”.
O termo pode soar estranho à primeira vista, mas virou assunto recorrente dentro de empresas que estão investindo pesado em inteligência artificial. Em resumo, token maxxing é a prática de incentivar funcionários a usar o máximo possível ferramentas de IA — consumindo grandes volumes de tokens — como forma de acelerar adoção, produtividade e integração da tecnologia ao trabalho cotidiano.
A ideia nasceu do conceito de tokens, as pequenas unidades de texto usadas por modelos como ChatGPT, Gemini e Claude para processar informações. Quanto mais tokens uma pessoa consome, maior tende a ser seu uso de IA. E algumas empresas começaram a tratar esse consumo como um indicador interno de produtividade e adaptação à nova era da inteligência artificial.
O movimento ganhou força depois que reportagens revelaram iniciativas internas em gigantes de tecnologia. Segundo o The Wall Street Journal empresas passaram a criar rankings internos para medir quais funcionários mais utilizavam ferramentas de IA. A lógica era simples: funcionários que usam mais IA teoricamente experimentam mais, aprendem mais rápido e se adaptam melhor às mudanças trazidas pelos modelos generativos.
A Meta foi uma das companhias associadas ao fenômeno. Reportagens apontaram que a empresa chegou a usar dashboards internos para acompanhar consumo de tokens entre funcionários, em uma espécie de gamificação da adoção de IA. O assunto se tornou tão comentado que executivos e engenheiros passaram a usar a expressão publicamente.
A Google também entrou na conversa. Durante o Google I/O 2026, Sundar Pichai mencionou o crescimento explosivo do uso de tokens em ferramentas Gemini. Segundo o executivo, o volume mensal da companhia chegou a 3,2 quatrilhões de tokens, sete vezes mais do que no ano anterior. O CEO chegou a brincar com o termo “tokenmaxxing” durante o evento.
O fenômeno também apareceu em discussões envolvendo Microsoft, Amazon e outras empresas que aceleraram integração de IA em áreas como programação, suporte, análise de dados e produtividade. Segundo reportagens recentes, algumas companhias passaram até a incentivar engenheiros a atingir determinados níveis de uso de IA internamente. (Tom’s Hardware)
Mas o movimento rapidamente começou a gerar críticas.
O principal problema é que consumir mais tokens não significa necessariamente produzir trabalho melhor. Em muitos casos, funcionários passaram a usar IA excessivamente apenas porque o consumo virou métrica interna. Isso gerou situações curiosas: pessoas rodando múltiplos agentes de IA ao mesmo tempo, criando prompts enormes ou automatizando tarefas desnecessárias apenas para elevar estatísticas de uso.
Outro ponto importante é o custo.
Embora ferramentas de IA pareçam baratas ou até gratuitas para usuários comuns, o consumo corporativo pode custar milhões de dólares. Reportagens recentes mostram que empresas começaram a perceber que agentes de IA avançados consomem volumes enormes de tokens — em alguns casos até mil vezes mais do que sistemas tradicionais.
A situação ficou tão séria que executivos passaram a discutir internamente se o aumento de uso realmente está trazendo retorno financeiro proporcional. A Uber, por exemplo, admitiu recentemente que começou a questionar o custo crescente associado ao chamado token maxxing. O COO da empresa afirmou que nem sempre existe relação clara entre maior uso de IA e entrega de produtos melhores para consumidores.
Ao mesmo tempo, defensores do conceito argumentam que o objetivo não é apenas medir produtividade imediata, mas criar uma cultura de experimentação com IA dentro das empresas. Para muitos executivos do Vale do Silício, funcionários que não usam IA de forma intensa correm risco de ficar para trás nos próximos anos.
O fenômeno também revela uma mudança importante no mercado de inteligência artificial: os tokens estão se tornando uma espécie de “combustível” da economia da IA. Quanto mais agentes inteligentes, automações e ferramentas multimodais avançam, maior é o consumo computacional necessário para manter tudo funcionando.
Na prática, o token maxxing virou símbolo de uma nova corrida tecnológica dentro das empresas — uma mistura de produtividade, pressão competitiva, experimentação e, em alguns casos, exagero corporativo.
E o fato de o termo já estar sendo usado publicamente por gigantes como Google e Meta mostra como a obsessão por IA passou a fazer parte da cultura do Vale do Silício.
